O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou suas redes sociais para pedir que o Congresso americano aprove um pacote de incentivos fiscais destinado à indústria do entretenimento. A proposta vem sendo comparada à Lei Federal de Incentivo à Cultura do Brasil, conhecida como Lei Rouanet, que permite a empresas destinarem parte de seus impostos ao financiamento de projetos culturais por meio da renúncia fiscal.
Em publicação na Truth Social, Trump afirmou que pretende reunir republicanos e democratas em torno de uma legislação que resgate a produção cinematográfica, televisiva e de entretenimento norte-americana. O presidente argumentou que o gasto com incentivos será compensado "dez vezes" pelo retorno em arrecadação aos cofres públicos.
Estudo divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) no início do ano mostrou que, para cada R$ 1 investido por meio da renúncia fiscal da Lei Rouanet, R$ 7,59 voltam à economia e à sociedade, além de R$ 1,39 em arrecadação tributária.
Trump afirmou que se encontrou com o ator Jon Voight, que vem atuando como uma espécie de embaixador informal do governo junto a Hollywood. Voight teria apresentado ao presidente sugestões de créditos tributários federais para conter a saída de produções do país.
O presidente norte-americano classificou a situação atual de Hollywood como "um desastre completo e total" e disse que a indústria está migrando para Canadá e outros países que oferecem benefícios fiscais mais atrativos. Segundo ele, "não há incentivo para estar lá" e a medida prejudicaria diretamente a Califórnia e o restante do país.
De acordo com a agência Reuters, Voight vem trabalhando com uma coalizão que reúne a Motion Picture Association — entidade que representa os cinco maiores estúdios de Hollywood —, o Directors Guild of America, além de sindicatos de atores, roteiristas e demais profissionais do setor.
O produtor Steven Paul, CEO do SP Media Group e agente de Voight, e Scott Karol, presidente da mesma empresa, propuseram a criação de um crédito federal de 20% sobre os custos de mão de obra em produções realizadas nos Estados Unidos. A expectativa é que o tema seja discutido em reuniões com lideranças dos dois partidos no Congresso.
O presidente da Motion Picture Association, Charles Rivkin, declarou à Reuters que a entidade apoia a iniciativa de Trump e pretende seguir dialogando com a Casa Branca e parlamentares para transformar a proposta em lei.









