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Trump pressiona Fed com ameaça de suspender comércio com países deficitários

Presidente dos EUA condiciona redução de juros a cortes nas taxas e cita decisão da Suprema Corte sobre tarifas

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Trump pressiona Fed com ameaça de suspender comércio com países deficitários

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou sua rede social Truth Social nesta sexta-feira (4) para ameaçar interromper relações comerciais com diversos países caso o Federal Reserve (Fed) não promova a redução das taxas de juros. Na publicação, Trump cobrou que o banco central americano "seja patriota" e seguiu a linha de pressão que tem mantido sobre a autoridade monetária.

As declarações aconteceram logo após a divulgação do relatório de empregos de agosto, que surpreendeu ao apontar a criação de 162 mil postos de trabalho — mais que o dobro do previsto por analistas. O resultado aquecido da folha de pagamento abriu espaço para que o Fed considere uma elevação dos juros no combate à inflação, movimento que se opõe frontalmente ao que Trump deseja.

Antes da divulgação do relatório, as projeções do mercado indicavam 49% de chance de alta na próxima reunião. Após os dados, essa probabilidade saltou para 60%, segundo a ferramenta CME FedWatch. O encontro de política monetária está marcado para começar em 15 de setembro e terá dois dias de duração.

A pressão de Trump sobre o Fed não é novidade. Na segunda-feira, ao falar com jornalistas no Salão Oval, ele já havia chamado de "ridícula" a possibilidade de alta de juros, argumentando que o crescimento econômico não gera inflação. O presidente também tentou recentemente demitir a dirigente do Fed Lisa Cook, alegando fraude hipotecária sem provas, mas a Suprema Corte barrou a ação.

O novo presidente do Fed, Kevin Warsh — indicado por Trump após longa campanha para forçar a saída de Jerome Powell —, sinalizou em discurso no simpósio de Jackson Hole que está aberto a elevar os juros caso a inflação continue acima da meta. Já o dirigente Michael Barr afirmou estar pronto para votar a favor de uma alta, enquanto Chris Waller disse preferir esperar mais dados, embora também apoie o movimento se os preços não arrefecerem.

As ameaças de Trump de suspender o comércio com parceiros deficitários também se conectam a dados relevantes: no ano passado, os EUA registraram déficit comercial de US$ 1,2 trilhão no acumulado, com a China respondendo por mais de US$ 200 bilhões, seguida por México e Vietnã. Especialistas alertam que, caso a ameaça se concretize, empresas e consumidores americanos poderiam enfrentar dificuldades para encontrar fornecedores alternativos, o que pressionaria ainda mais os preços.

Esse cenário ganha contornos adicionais porque a inflação anual americana saltou para 3,4% em julho, um ponto percentual acima do nível anterior, em meio à guerra com o Irã iniciada em fevereiro. O conflito provocou alta nos preços da gasolina após o bloqueio parcial do Estreito de Ormuz, e muitas empresas já sinalizam repasses de custos. A expectativa agora se volta para o relatório do Índice de Preços ao Consumidor de agosto, previsto para a próxima sexta-feira, que pode definir o tom da próxima decisão do Fed.

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