O editorial da Folha publicado nesta quinta-feira afirma que o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes atingiu a República ao direcionar ataques contra seu colega André Mendonça, em meio às denúncias que envolvem a família do magistrado e o Banco Master.
De acordo com o texto, em vez de apresentar publicamente argumentos para se defender dos graves indícios de relacionamento com o principal fraudador bancário da história do país — apurados pela Polícia Federal —, Moraes teria preferido usar prerrogativas extraordinárias em benefício próprio e disparar contra o juiz que conduziu a elaboração do relatório.
O editorial lembra que, para isso, o ministro acionou mais uma vez o chamado "inquérito das fake news", descrito pelo jornal como uma anomalia jurídica mantida desde 2019 com a cumplicidade de seus pares. Segundo a publicação, a institucionalidade foi substituída por uma espécie de pistolagem.
Na peça, sustentada em relatórios policiais de valor probatório considerado duvidoso, Moraes afirma que Mendonça teria exorbitado de suas atribuições, direcionado o inquérito e agido por motivação partidária. Sem conseguir aplicar aos colegas o mesmo tratamento dado a críticos menos ilustres — restrição de liberdade, censura e violação de sigilo —, o ministro chegou perto disso e, no subtexto, acusa o colega de conspirar contra a democracia.
Para o jornal, o ato diversionista não altera a situação de Moraes. O editorial destaca que um fraudador manteve contrato de R$ 131 milhões com o escritório da família do ministro enquanto saqueava o sistema financeiro nacional e corrompia agentes à direita, ao centro e à esquerda. Mensagens com tecnologia de autodestruição revelam intensa troca com o ministro às vésperas da prisão do banqueiro, e a família Moraes teria utilizado jato e cartões de crédito do dono do Master.
O texto questiona por que o magistrado não optou por rebater publicamente as imputações, alegando que as informações estariam equivocadas, que nunca teria atuado em favor dos interesses do dono do Master ou que Daniel Vorcaro teria escolhido sua esposa para representá-lo sem motivações suspeitas.
O elogio do editorial vai para o presidente do STF, Edson Fachin, por retirar o pedido de Moraes do inquérito de exceção e cobrar explicações formais e substanciais do próprio Moraes, de Mendonça, do diretor da Polícia Federal Andrei Rodrigues e do procurador-geral da República Paulo Gonet. Fachin, segundo a Folha, tenta restabelecer o império dos ritos e protocolos em um terreno que ameaça se transformar em vandalismo.
Para o jornal, o que está em jogo é uma instituição vital da República. A crise, segundo o editorial, ultrapassou a possibilidade de ser contida por acordos pessoais ou oligárquicos de impunidade, e apenas um processo sóbrio e profundo de prestação de contas poderá devolver tranquilidade à Corte.








