A professora de história Giulia Silva de Araújo, de 26 anos, faleceu na sexta-feira (28) depois de buscar atendimento médico em duas ocasiões no Hospital Municipal Francisco da Silva Telles, na zona Norte do Rio de Janeiro, e ter recebido alta em ambas as vezes. De acordo com a irmã da vítima, Fabiana Marques, a jovem tinha o sonho de se mudar para os Estados Unidos para melhorar de vida e ajudar a família.
"Ela queria ir para os EUA para ganhar melhor e nos ajudar mais. Além de ter concluído a faculdade, estava se especializando em Educação Especial e Inovação Tecnológica e receberia um prêmio no dia seguinte. Iremos buscar essa homenagem em nome dela", contou Fabiana.
Para os parentes, a unidade hospitalar confundiu um possível infarto com uma crise de ansiedade. Um laudo necroscópico elaborado pela Polícia Civil do Rio, finalizado na quarta-feira (2), indicou que a morte foi causada por tamponamento cardíaco e ruptura de aneurisma da aorta ascendente.
O advogado da família, Luan Machado, afirmou que o documento reforça a tese de negligência: "Houve falha ao conceder alta sem uma investigação mais detalhada por meio de exames de imagem, sobretudo ecocardiograma e angiotomografia".
Giulia procurou a emergência do hospital pela primeira vez relatando dor no peito e sinais compatíveis com problema cardíaco. Após passar por uma série de exames, foi liberada com diagnóstico de crise de ansiedade.
Cerca de três horas depois, ela voltou à unidade com sintomas mais fortes. Foi submetida a uma nova bateria de exames, incluindo hemograma completo e radiografia de tórax, e medicada com dexametasona, recebendo alta novamente. Durante o atendimento, chegou a desmaiar e a apresentar sinais mais graves, sem que houvesse mudança no diagnóstico.
Depois da segunda liberação, a professora passou mal outra vez e foi encaminhada a um hospital mais próximo de sua casa, onde sofreu um infarto e veio a óbito no mesmo dia.
Em resposta, a direção do Hospital Municipal Francisco da Silva Telles afirmou ter prestado toda a assistência necessária de acordo com o quadro clínico apresentado em cada avaliação. Segundo a unidade, Giulia foi prontamente atendida e submetida a exames protocolares para casos cardíacos agudos, com resultados dentro da normalidade — incluindo frequência cardíaca, respiratória, pressão arterial, temperatura, saturação de oxigênio e eletrocardiograma, este último sem qualquer alteração indicativa de gravidade.
A Secretaria Municipal de Saúde do Rio lamentou o falecimento e reiterou que a assistência foi prestada conforme o quadro clínico. A direção da unidade também se colocou à disposição da família para novos esclarecimentos.
O caso é apurado pela 59ª DP (Duque de Caxias), que investiga as circunstâncias da morte.









