Duas universidades públicas brasileiras passaram a integrar um estudo internacional coordenado pela Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, que busca novos tratamentos e uma possível cura para a hepatite B. A pesquisa também reúne cientistas da Índia, Senegal e Uganda.
O trabalho é conduzido no Brasil pela Universidade de São Paulo (USP) e pelo Hospital Universitário da Universidade Federal do Espírito Santo (Hucam-Ufes). A proposta é analisar, em nível celular, o comportamento do vírus em pacientes de diferentes países, além das respostas imunológicas dos infectados. O estudo contempla também pessoas coinfectadas por hepatite B e HIV.
A professora Tânia Reuter, do Hucam-Ufes, destaca que o objetivo da iniciativa é contribuir para a eliminação das hepatites virais, com a meta de tirar a hepatite B da lista de problemas de saúde pública no Brasil até 2030.
No total, serão acompanhados 600 pacientes com hepatite B ou com coinfecção por HBV e HIV, distribuídos em 150 participantes por país. No Espírito Santo, a equipe da pesquisadora já começou o recrutamento em julho e pretende analisar 75 pessoas até o final deste ano.
A investigação pretende identificar por que o vírus evolui de forma diferente em cada paciente, quais características genéticas podem protegê-los de uma progressão mais rápida e quais subpartículas virais poderiam servir como indicadores de cura ou de resposta ao tratamento.
A hepatite B integra o grupo das hepatites virais, doenças inflamatórias do fígado que podem evoluir para cirrose e câncer hepático. A infecção crônica atinge cerca de 240 milhões de pessoas no mundo e, por ser assintomática durante anos, frequentemente é diagnosticada já em estágio avançado.
A transmissão ocorre pelo contato com sangue infectado, por relações sexuais desprotegidas e de mãe para filho no parto. No Brasil, aproximadamente 1,1 milhão de pessoas vivem com a forma crônica da doença.
O Ministério da Saúde lembra que a principal forma de prevenção é a vacinação, disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS) para pessoas não vacinadas, independentemente da idade. Um relatório da Organização Mundial da Saúde divulgado em julho aponta queda de 32% nas infecções por hepatites virais em todo o mundo desde 2015, atribuída principalmente à ampliação da vacinação infantil.

