O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) aplicou nesta sexta-feira (4) suspensão de dois jogos ao treinador do Palmeiras, Abel Ferreira, pelo episódio em que chutou um microfone durante o empate com o Mirassol, pelo Campeonato Brasileiro. A decisão, que cabe recurso, não foi unânime: o primeiro auditor votou pela absolvição, enquanto os demais defenderam suspensão de uma a duas partidas.
Com a punição, Abel não poderá estar à beira do campo nos duelos contra Botafogo, no domingo, às 18h30 (de Brasília), e diante do São Paulo, marcado para o dia 12, no mesmo horário.
A Procuradoria do STJD enquadrou o treinador por conduta antidesportiva no artigo 258 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que prevê pena de um a seis partidas, e pediu agravante com base na reincidência. O comandante já havia sido punido este ano com sete jogos de suspensão por expulsões em jogos contra Fluminense e São Paulo.
O julgamento começou com o primeiro voto pela absolvição e o segundo pela condenação com punição de uma partida. Após pedido de vista do terceiro auditor, o julgamento retornou cerca de uma hora depois, quando esse auditor passou a defender duas partidas de suspensão, pena acompanhada pelo quarto e último auditor. O técnico não participou da sessão da 3ª Comissão Disciplinar.
Durante o julgamento, o áudio do VAR foi apresentado e mostrou que o árbitro João Vitor Gobi foi informado sobre o ato do treinador. Um assistente orientou Gobi a aplicar cartão amarelo ao português, mas o árbitro optou por não puni-lo em campo — argumento usado para defender a absolvição de Abel.
No mesmo julgamento, o Tribunal também analisou a denúncia envolvendo a equipe de arbitragem — o árbitro principal João Vitor Gobi, o quarto árbitro Roger Goulart e o árbitro de vídeo Ilbert Estevam da Silva —, mas considerou a denúncia inepta. Os auditores apontaram falta de clareza sobre os artigos em que os árbitros foram enquadrados (259, 261-A e 266 do CBJD) e entenderam ser necessário um inquérito para apurar os fatos antes do julgamento. A pena mínima prevista era de quinze dias de suspensão.
Depois da vitória palmeirense sobre o Santos pela Copa do Brasil, na quarta-feira (2), Abel Ferreira já havia se pronunciado sobre o caso. O técnico reclamou de ter sido o único a receber a pena máxima do tribunal, lembrando que, em situação semelhante ocorrida na Conmebol, foi apenas multado.
“Já fui julgado pelo STJD e levei oito jogos. Eu não matei ninguém. Já disse, eu vivo o futebol intensamente. Me chamo Abel Ferreira e sou ser humano. Vou cometer erro como todos nós”, declarou o treinador. Ele também comparou: “Na mesma ação na Conmebol, eu chutei o microfone e fui multado. Não me tiraram de jogo, fui multado.”




