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Vorcaro afirma à PF que não havia sinais de que o Banco Central reprovaria fusão entre Master e BRB

Ex-banqueiro depôs à Polícia Federal e disse ter sido surpreendido pela decisão do BC que vetou a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília

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Vorcaro afirma à PF que não havia sinais de que o Banco Central reprovaria fusão entre Master e BRB

Em depoimento à Polícia Federal obtido pela CNN Brasil, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou que foi pego de surpresa com a decisão do Banco Central que rejeitou a operação de compra do Banco Master pelo BRB (Banco de Brasília). Segundo ele, não havia qualquer indicativo concreto de que o negócio seria barrado.

"Não existiu até o dia da reprovação, em 3 de setembro, nenhum indício. Apesar de existirem notícias, falas e fofocas, na prática, como a gente estava executando tudo o que o Banco Central solicitava, a gente acreditava que seria aprovado", declarou Vorcaro, em oitiva realizada no dia 28 de agosto.

O ex-banqueiro também sustentou que o Banco Central, como um todo, e o próprio presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, teriam incentivado a fusão entre as duas instituições. Ele citou nominalmente os diretores Paulo Sérgio e Ailton de Aquino como tendo postura de "concordância e incentivo à conclusão da fusão".

O acordo entre Master e BRB havia sido anunciado em março do ano passado, quando o conselho de administração do banco estatal aprovou a aquisição de 49% das ações ordinárias, 100% das preferenciais e 58% do capital total do Banco Master. Ao longo do processo, o Banco Central acompanhou as tratativas e exigiu ajustes na proposta original para garantir a viabilidade do negócio.

Vorcaro relatou ainda que, com o tempo, a operação foi sendo alterada em razão de pressão da mídia, mas que todas as modificações solicitadas pelo regulador foram atendidas. Após a liquidação do banco de Vorcaro, em novembro de 2025, veio à público que a venda de ativos problemáticos do Master ao BRB teria gerado um impacto de R$ 12 bilhões à instituição regional.

O depoimento integra o inquérito que investiga a conduta de dois ex-servidores do Banco Central suspeitos de favorecer o Banco Master em troca de vantagens financeiras. A PF apura se Vorcaro teria recebido informações privilegiadas de ex-funcionários do BC que prestariam consultancy não oficial ao ex-banqueiro — o que ele negou.

Em nota divulgada no mesmo dia da oitiva, a defesa de Vorcaro afirmou que aquela foi a primeira oportunidade concreta de o ex-banqueiro se manifestar sobre a investigação.

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