O crescimento no número de pedidos de recuperação judicial e extrajudicial no Brasil vem chamando a atenção para a situação financeira das companhias em um contexto de juros altos. Os recentes casos do Habib's e das Casas Bahia exemplificam uma tendência que extrapola as empresas diretamente envolvidas e pode alcançar a economia como um todo.
Entre os efeitos menos debatidos está a possível retração do chamado PIB potencial — a capacidade máxima que uma economia tem de produzir sem provocar pressão extra sobre os preços. Com empresas diminuindo suas operações ou encerrando atividades, o país perde fôlego produtivo.
Segundo um dos apresentadores do programa, ao reduzir o PIB potencial, basta um pequeno crescimento da demanda para que a economia entre em estresse, já que a oferta se torna insuficiente e a inflação tende a subir.
Além das consequências macroeconômicas, o aumento das recuperações judiciais costuma deteriorar a imagem das empresas atingidas. Credores ficam inseguros, concorrentes do mesmo ramo podem adiar novos investimentos e consumidores passam a repensar a compra de produtos ou serviços de uma companhia em dificuldade.
De acordo com outro comentarista, trata-se de um conjunto de cenários que se reflete tanto na economia quanto na sociedade.
Para o investidor, o período pede cuidado redobrado com o crédito privado. Títulos de renda fixa como debêntures, CRIs e CRAs, frequentemente apontados como alternativas mais previsíveis, também podem ser afetados quando a emissora atravessa problemas financeiros ou entra em recuperação judicial.
Um dos participantes do programa alertou que quem adquiriu esses papéis pode enfrentar prejuízos, recomendando que os investidores monitorem de perto a situação das empresas e analisem o possível impacto das recuperações judiciais sobre suas carteiras.







